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Carraças em gatos: causas, prevenção e tratamento

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novembro 26, 2020
5 min de leitura
Carraça pequena e carraça grande numa folha

Se o seu gato gosta de explorar o exterior, é provável que um dia acabe por apanhar uma carraça. Saiba, neste guia, tudo sobre carraças em gatos: como identificá-las, removê-las em segurança, os perigos associados e as melhores formas de prevenção.

As carraças são pequenos parasitas que se agarram ao corpo do gato e alimentam-se durante vários dias se não forem removidos. Por isso, é importante detetá-los o mais cedo possível, para evitar dor e desconforto, e para reduzir o risco de transmissão de algumas doenças infeciosas que podem transportar.

Se já encontrou uma carraça no seu gato, pode estar a perguntar-se como removê-la sem causar dor ou deixar partes do parasita presas na pele. Por isso preparámos este guia útil para explicar como retirar uma carraça do seu gato de forma segura e correta.

Neste artigo

O que são carraças?

As carraças são parasitas. Mordem sob a pele do gato e sugam sangue. Antes de se alimentarem são minúsculas, têm oito patas e podem ser pretas, castanhas, vermelhas ou cor de areia; depois de fixadas, podem inchar até ao tamanho de uma ervilha à medida que se enchem de sangue. Tecnicamente são aracnídeos (não insetos) — ao contrário das pulgas. Podem transmitir agentes patogénicos ao animal de que se alimentam; por isso, a prevenção de carraças em gatos é uma medida importante nos cuidados felinos.

Tipos de carraças em gatos

Existem dois grandes grupos de carraças: duras e moles.

  • As carraças duras costumam parecer uma semente de girassol e têm um “escudo” rígido logo atrás das peças bucais. São o tipo mais comum de carraças em gatos. 
  • As carraças moles assemelham-se a uma passa. Normalmente não aparecem nos gatos, preferindo outros hospedeiros, como aves ou morcegos.

Como é o aspeto de uma carraça?

As carraças são pequenos organismos ovais, com oito patas, que lembram pequenas aranhas. Geralmente medem de 1 mm a 1 cm. Têm, muitas vezes, um corpo mais claro que aumenta e escurece à medida que se alimentam.

As carraças no gato são relativamente fáceis de identificar na sua pele e, ao toque, sentem-se como um pequeno caroço, que pode ser confundido com um inchaço. Vale a pena inspecionar o seu gato com regularidade.

Carraça alimentada vs. não alimentada

As carraças sofrem uma transformação visível depois de se alimentarem, e reconhecer a diferença ajuda a identificá-las: 

  • Uma carraça pequena é uma carraça não alimentada: pequena, achatada, oval, de cor castanha, castanho-avermelhada ou preta, muitas vezes não maior do que uma semente de sésamo. O corpo é fino e as patas veem-se bem de cima.
  • Uma carraça alimentada (“ingurgitada”) muito maior e inchada; o corpo torna-se arredondado ou em forma de lágrima e ganha tons cinzentos, azulados ou verde-azeitona. Pode alcançar o tamanho de uma uva pequena e as patas ficam menos visíveis.

Se encontrar um caroço acinzentado bem preso à pele do seu gato, que não estava lá antes, pode tratar-se de uma carraça alimentada. Remova-a com cuidado e vigie a área.

Carraça pequena e carraça grande numa folha

De onde vêm as carraças?

As carraças preferem zonas com vegetação densa, como bosques, prados e jardins de quintas, sendo por isso frequentemente chamadas de carraças das ervas. São comuns em áreas com veados, ovelhas, ouriços-cacheiros ou coelhos. Os gatos apanham carraças com mais frequência na primavera e no outono, embora possam surgir durante todo o ano.

Como é que o meu gato apanha carraças?

  • Outros animais: ao circular fora de casa, os gatos contactam com fauna diversa; as carraças podem passar facilmente de um hospedeiro para outro. Evite deixar comida no exterior, pois pode atrair animais à área do seu gato.
  • Pessoas/roupa: após caminhadas em campos ou florestas, as carraças podem prender-se a roupa/cabelo e entrar em casa — mesmo gatos de casa podem ser expostos.
  • Ambiente exterior: carraças conseguem sobreviver no ambiente e agarram-se ao pelo quando o gato explora.

Quais são os perigos das carraças no gato?

Algumas carraças podem transportar agentes causadores de doença. Exemplos descritos na literatura incluem:

  • Febre Q: pode provocar febre alta, anorexia, depressão, abortos e, raramente, convulsões.
  • Ehrlichiose: vómitos, diarreia, gânglios inchados, letargia, anorexia, dor articular, secreção ocular, entre outros.

O que precisa para remover uma carraça de um gato

  • Uma segunda pessoa para manter o gato calmo.
  • Luvas descartáveis (as carraças podem transmitir doenças a humanos).
  • Uma ferramenta própria de remoção de carraças (à venda em lojas de animais; o seu veterinário também pode facultar).
  • Toalhetes antissépticos adequados para gatos.
  • Um recipiente pequeno para descartar a carraça.
  • Desinfetante para limpar a ferramenta após o uso.

Como remover uma carraça de um gato (passo a passo)

Remover uma carraça pode ser delicado: é essencial retirar o parasita inteiro, sem deixar as peças bucais na pele, para reduzir o risco de infeção. Se tiver dúvidas ou dificuldade, procure o seu veterinário.

  1. Peça ajuda para manter o gato calmo; só comece quando ele estiver relaxado.
  2. Afaste o pelo à volta da carraça para ver claramente a zona.
  3. Opcional: humedeça a área com óleo medicinal ou azeite por alguns minutos; isto pode reduzir a oxigenação da carraça e facilitar a remoção.
  4. Coloque a ferramenta de remoção em torno da carraça, o mais junto possível da pele.
  5. Puxe e rode suavemente (sem apertar o corpo) até a carraça se soltar. Vá com calma.
  6. Confirme se as peças bucais vieram junto com o corpo. Coloque a carraça num recipiente e elimine em segurança (não deitar na sanita).
  7. Limpe a zona com antisséptico próprio para gatos.
  8. Descarte as luvas e lave as mãos.
  9. Desinfete a ferramenta.

Se não conseguir retirar tudo, ou se a pele ficar vermelha, inchada ou dolorosa, leve o gato ao veterinário.

Posso remover uma carraça de um gato sem pinça ou outra ferramenta?

Circulam muitos “truques” caseiros (queimar a carraça, usar vaselina para a “sufocar”, etc.), mas não são recomendados e podem causar acidentes, ruturas do parasita e maior risco de infeção (as carraças respiram poucas vezes por hora, pelo que a vaselina não resulta). Utilize sempre uma ferramenta própria ou peça ajuda ao veterinário.

Tipos de carraças em Portugal

Ixodes ricinus (carraça do veado): muito difundida; pode transportar Borrelia (doença de Lyme), Anaplasma, entre outros. Transmissão em gatos é pouco frequente, mas possível.

  • Ixodes hexagonus (carraça do ouriço): comum em jardins/áreas com ouriços. Pode transportar bactérias como Mycoplasma; a doença em gatos é pouco comum.
  • Ixodes canisuga (carraça do cão): mais típica em cães, mas pode fixar-se a gatos.

As doenças transmitidas aos gatos por carraças são raras, mas podem ocorrer. Os sintomas incluem letargia, febre, dor articular, perda de apetite; ocasionalmente podem evoluir. A remoção rápida e vigilância clínica costumam ser suficientes, e o seu veterinário indicará se há necessidade de exames. 

Carraças nos gatos: zonas do corpo mais afetadas

As carraças não são esquisitas, mas preferem zonas quentes e de pele fina:

  • Cabeça, em redor das orelhas, pálpebras e bochechas.
  • Pescoço/linha da coleira.
  • Axilas, virilhas e face interna das coxas.
  • Almofadas plantares e entre os dedos.

Faça inspeções completas ao seu gato após tempo ao ar livre.

Prevenir carraças no seu gato

Se o seu gato anda no exterior ou vive numa zona com muita vegetação/fauna, faça verificações regulares como parte da rotina de grooming: passe as mãos pelo corpo, com atenção a cabeça, pescoço, orelhas e patas.

Existem tratamentos spot-on (muitas vezes combinados com antipulgas) que também protegem contra carraças; atuam no sistema circulatório e eliminam rapidamente o parasita quando este se alimenta. Algumas coleiras antiparasitárias também oferecem proteção, mas em gatos que passam muito tempo fora podem prender-se em ramos e representar risco — avalie com o seu veterinário.

 

FAQ sobre Carraças em gatos

Pode notar um pequeno caroço elevado, inicialmente castanho-acinzentado, que aumenta até ao tamanho de uma ervilha. Procure vermelhidão e, por vezes, patas visíveis junto à pele.

Podem causar irritação cutânea, inflamação ou reações alérgicas. Em casos raros, transmitem doenças (ex.: Lyme, anaplasmose), com sinais como letargia, febre, dor articular, perda de apetite ou gânglios aumentados.

Sim. As carraças podem ser trazidas em roupa, calçado ou por outros animais. O risco é menor, mas convém verificar após visitas/saídas.

Use uma ferramenta própria (ou pinça de pontas finas) e agarre junto à pele. Com a ferramenta apropriada, puxe e rode suavemente; com pinça, puxe de forma lenta e contínua para cima. Limpe a zona e lave as mãos. Vigie 24–48 h; se houver mal-estar ou inflamação, fale com o veterinário.

Remova como se estivesse viva — a cabeça pode continuar presa. Limpe a área e contacte o veterinário se ficar algo retido ou se a pele ficar irritada.